• Livros
  1. Visitadoras de alimentação: legado da escola Agnes June Leith (Marlene Lopes Cidrack): O presente livro torna pública uma tese de doutorado desenvolvida junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira da Universidade Federal do Ceará e representa a maturação intelectual de Marlene Lopes Cidrack em seu trânsito pelas áreas da alimentação, da educação e da saúde em busca de respostas para suas inquietações de natureza acadêmica e social.  Trata-se de uma pesquisa que questiona aspectos da emergência do campo de saber em alimentação no Brasil, com abordagem centrada na estratégia de formação de recursos humanos, no caso as visitadoras de alimentação. Pressupõe o processo de formação profissional como estratégia articulada a um conjunto de medidas voltadas para a busca de representação e legitimidade social e política desse saber que emergia e traçava caminhos para sua consolidação.  No período em estudo, entre as décadas de 1940 e 1966, formavam-se nutrólogos, nutricionistas e visitadoras de alimentação. Era o corpo de profissionais para trabalhar com alimentação em diferentes níveis e formas de atuação. Os médicos nutrólogos trabalhavam com a pesquisa e produção de conhecimento. À nutricionista cabia a função de execução prática das prescrições médicas. No espaço do cotidiano alimentar da população, especialmente da classe trabalhadora, deveria acontecer o serviço de visitação alimentar.  As visitadoras de alimentação tinham a incumbência de fazer o trabalho de educação alimentar, difundindo os preceitos da alimentação racional, ora em voga, tendo em mista a constituição de pessoas saudáveis e produtivas necessárias ao desenvolvimento do Brasil. Como se dava a formação dessas profissionais na Escola de Nutrição Agnes June Leith foi a pergunta norteadora da investigação que teve como resultado um esforço acurado de reconstrução, buscando apreender as rotinas e as atividades curriculares, teóricas e práticas, que resultavam na titulação de visitadoras de alimentação, profissionais com papel fundamental na constituição do campo de saber em alimentação no Brasil.  É um trabalho inédito que articula de forma criativa questões que somente poderiam ser estudadas nas interfaces da alimentação com a educação e com a saúde. Traz significativa contribuição para a literatura que trata da história da alimentação no Brasil, especialmente da história da nutrição, ao mesmo tempo em que aponta inúmeras inquietações que poderão gerar muitas outras investigações.  Enfim, um livro belíssimo, com argumentação leve, construído a partir da análise criteriosa e ética de diferentes fontes: documentos oficiais, anais de congressos, textos jornalísticos, fotografias e relatos orais. Prazeroso de ler pela sua escrita articulada, clara e inquietadora e prazeroso de ver pelas belíssimas imagens que contem. (Prof. Dr. José Arimatea Barros Bezerra e Prof.ª Dr.ª Maria de Lourdes Peixoto Brandão)

 Capa livro

  • Exposição
  1. Escola de Visitadoras de Alimentação: Tendo como base os fundamentos da alimentação racional e a tese da ignorância alimentar da população, desencadeiam-se, em meados da década de 1930, estudos com a finalidade de analisar as práticas alimentares dos brasileiros em suas relações com o desenvolvimento econômico e social do País, buscando caracterizar o problema alimentar brasileiro em suas consequências para o desenvolvimento socioeconômico, formulando um diagnóstico e prescrevendo soluções para tal conjunção de problemas.Dentre essas prescrições, destacava-se a realização de “cruzadas alimentares” para ensinar a população, notadamente a classe trabalhadora, a se alimentar “corretamente”, de forma racional, o que resultaria na conformação de sujeitos fortes, robustos e sadios, necessários ao desenvolvimento do país e a constituição da nacionalidade brasileira. Nesse sentido, o governo Vargas cria em 1940 o Serviço de Alimentação da Previdência Social (SAPS), com a meta de “melhorar a alimentação do trabalhador nacional e, consequentemente, sua resistência orgânica e capacidade de trabalho, mediante a progressiva racionalização de seus hábitos alimentares (…)”. (Decreto-Lei 2.478, de 05 de agosto de 1940). O SAPS tinha dentre seus objetivos realizar pesquisas, formar recursos humanos e ensinar a população a se alimentar “corretamente”. Para tanto, criou-se cursos de formação de nutrólogos, de nutricionistas e visitadoras de alimentação. As visitadoras de alimentação eram moças formadas pela Escola de Visitação Alimentar Agnes June Leith para desenvolver atividades de educação alimentar nos restaurantes populares e nos postos de subsistência do SAPS, mas principalmente junto às famílias de operários e trabalhadores do meio urbano e rural.  Essa escola foi instalada na cidade de Fortaleza, Ceará, no ano de 1944, onde funcionou formando visitadoras de alimentação, até 1966, ano em que o SAPS entrou em processo de extinção. A presente exposição, organizada pela curadora Cláudia Sales de Alcântara, tem por finalidade levar ao público aspectos da trajetória dessa instituição de ensino e do SAPS, por meio do material iconográfico que foi reunido durante os trabalhos de campo da pesquisa de doutorado em educação de autoria de Marlene Lopes Cidrack. Está acrescida de documentos outros como livros sobre alimentação e nutrição publicados na época, cartilhas de educação alimentar, convite de formatura de turma de visitadoras. A referida pesquisa se insere em um programa de pesquisa mais amplo sobre a gênese do saber em alimentação e nutrição no Brasil, coordenado pelo professor José Arimatea Barros Bezerra e vincula-se ao Grupo de Estudos e Pesquisas AGostoS – Alimentação, Gostos e Saberes (www.agostosufc.wordpress.com), à Linha de Pesquisa Educação, Currículo e Ensino do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFC.

Idealização e Coordenação
Marlene Lopes Cidrack
José Arimatea Barros Bezerra
Cláudia Sales de Alcântara

Organização
AGostoS
Alimentação, Gostos e Saberes
Grupo de Pesquisa em
Alimentação, Cultura e Educação

Apoio
Universidade Federal do Ceará
Faculdade de Educação
Programa de Pós-graduação em Educação

Patrocínio
Banco do Nordeste
Sunset Beach Club
Restaurante Velas do Cumbuco

CONFIRA AQUI AS FOTOS DA ABERTURA DA EXPOSIÇÃO!

  • Projetos de Pesquisa concluídos
  1. Política de alimentação escolar no Ceará (1954-1973): Descrição: Pesquisa sobre a temática alimentação escolar, objetivando reconstruir o percurso da política de merenda escolar, no Ceará, entre os anos de 1954 e 1973. Parte da constatação da lacuna de estudos de natureza histórica sobre esse tema e do seguinte pressuposto: o entendimento da implementação da política de merenda escolar como uma medida inserida em um conjunto amplo de ações, entre as quais aquelas desenvolvidas pelo SAPS e pela Escola Regional de Nutrição de Fortaleza, que constituem eixos centrais de um projeto amplo de intervenção do Estado junto à sociedade, visando, dentre outros objetivos, dotar a população de bons hábitos alimentares, materialidade do processo de transformação do discurso sobre alimentação em tema de política e prática governamental. O levantamento de dados acontece a partir do discurso de jornais, relatos orais e documentos, tendo como fundamentos os parâmetros da Hitória Nova, notadamente, nos aspectos da interdisciplinaridade, tempo, conhecimento histórico, o trabalho do historiador, valorização e complementariedade de diversas fontes. Como resultados, espera-se: 1) a contribuição no preenchimento da lacuna estudos de caráter histórico sobre a merenda escolar, notadamente, no estado do Ceará; 2) inserção do debate sobre a merenda escolar no campo da pesquisa educacional, onde não há uma discussão sistemática sobre o tema; 3) fortalecimento do processo de formação de recursos humanos voltados à pesquisa (iniciação científica, mestrado e doutorado), possibilitando maior articulação entre graduação e pós-graduação em educação da UFC.
  2. A Gênese do Saber em Alimentação e Nutrição no Brasil[1] (José Arimatea Barros Bezerra[2]):  Estudo sobre a gênese social do saber em alimentação, no Brasil, em sua fase de emergência – divulgação e aplicação prática, tendo como foco de análise a produção acadêmica inicial, pela qual se estabeleceram as bases conceituais e metodológicas da área e as ações de educação e de assistência alimentar destinadas aos trabalhadores. A produção científica analisada, formada por um conjunto de estudos referentes a pesquisas e fundamentos teóricos, publicados entre 1934 e 1941, foi discutida considerando seus pressupostos, as questões tratadas, as proposições práticas e os seus protagonistas. A análise sobre ações de educação e assistência alimentar problematizou a experiência que se efetivara, a partir de 1940, com a criação, pelo Ministério do Trabalho Indústria e Comércio – MTIC, do Serviço de Alimentação da Previdência Social – SAPS, que buscou condensar parte das proposições dos estudiosos sobre alimentação, instituindo restaurantes populares e cursos específicos – Visitação Alimentar, Nutrição e Nutrologia. Questiona-se o SAPS em suas medidas de difusão dos fundamentos da alimentação racional e de modificação de práticas alimentares dos trabalhadores; ou seja, de educação alimentar, enfocando a ação das visitadoras de alimentação e as relações de conflito entre o saber acadêmico em propagação e a cultura alimentar existente, desencadeadas por ações que visavam à modificação de práticas alimentares naturalizadas. Em se tratando de um estudo sobre a gênese social de um saber, fundamentado nos parâmetros da Nova História, tomou-se a Sociologia de Pierre Bourdieu como referencial metodológico mais amplo indicador da abordagem, dos contornos e dos limites da análise. Nesse sentido, buscou-se apreender o movimento desse campo, na particularidade de espaço e de recorte temporal definido, haja vista sua especificidade e estratégias no processo de busca de “autonomização”. Uma vez que o objeto se insere numa área de conhecimento considerada como “gênero de fronteira”, o referencial teórico se complementou com os conceitos de alimento, comida; e cultura alimentar numa perspectiva histórica e antropológica. Para discutir o instante inicial de constituição desse campo de saber, em termos de produção científica, foram tomadas para análise obras produzidas e publicadas entre 1934 e o início da década seguinte, que integraram um conjunto de estudos voltados para difusão e aplicação da base conceitual e metodológica da alimentação racional, cujos resultados traziam indicações de medidas de intervenção social. A segunda ocasião, que se direcionou para a análise do SAPS em suas ações de educação e assistência alimentar, teve como base as seguintes fontes: 1) relatos orais, obtidos por meio de entrevistas, de pessoas que atuaram no SAPS (funcionários em geral, delegados, nutricionista) e no Serviço de Visitação Alimentar (professoras da Escola de Visitação Alimentar de Fortaleza, visitadoras que atuaram junto a famílias e uma visitadora que trabalhou na creche SAPS Fortaleza; 2) leis, decretos-lei, portarias e ofícios referentes ao SAPS; um caderno de anotação de aulas do Curso de Visitadoras e os Anais do I Congresso Nacional de Visitadoras de Alimentação; Histórico do nutricionista no Brasil (1939-1989) – coletânea de depoimentos e documentos e; 3) Matérias sobre atuação do SAPS e EVA veiculadas pelos jornais cearenses Gazeta de Notícias, O Nordeste e O Povo. Dentre as conclusões do estudo, estão: 1) Ao ser iniciado na rotina dos restaurantes populares do SAPS, com suas características de sobriedade, higiene e moralidade, o trabalhador vivenciaria uma prática de alimentação racional, iniciando-se por um cardápio que incluía legumes e verduras, no prato principal, acompanhado de fruta, leite e/ou suco, servido em bandejão, em local “correto, apropriado” para se alimentar. Ali também se promovia o acesso à leitura, à música e às noções higiene e alimentação racional, o que acontecia, respectivamente, por meio da biblioteca, da discoteca, que funcionavam junto aos restaurantes e de uma irradiadora, que transmitia palestras nos horários das refeições, bem como pela distribuição de cartilhas e folhetos de educação alimentar. O ciclo de educação alimentar dos trabalhadores continuava nos postos de subsistência, onde comprariam, por um custo baixo, os gêneros alimentícios básicos. Ciclo que se completaria em casa quando entrariam em contato com as noções “corretas” de alimentação, trazidas por dois agentes: as visitadoras de alimentação que difundiam, através de ensinamentos práticos, os princípios da alimentação racional, de administração do lar, orçamento doméstico e noções de higiene em geral; as crianças que teriam aprendido tais princípios na escola, pela prática da merenda escolar e preleções de professores e de especialistas em Nutrição. 2) Essa “cruzada alimentar” do SAPS contribuiu significativamente, por meio da difusão dos princípios da alimentação racional, para a conquista de representação e legitimidade social que esse saber necessitava naquele momento para estabelecer suas bases teórico-metodológicas e ser reconhecido como ciência de aplicação social. 3) Se os estudos dos nutrólogos se destacaram por situar o problema alimentar, em suas relações sociais, econômicas e políticas, aproximando-se de uma abordagem interdisciplinar, o desencadeamento de ações práticas pautou-se pela visão unilateral do problema, pelo caráter prescritivo e higienista, próprio da Medicina da época, predominando o enfoque nutricional, racional e técnico. Assim, “tratamento” indicado para corrigir problemas considerados de ignorância alimentar, via educação, encontrou resistências, ensejou conflitos que não foram compreendidos como indicativos das contradições do processo, mas como inerentes ou decorrentes da ignorância alimentar da população. O caso da farinha no restaurante popular de Fortaleza bem como as resistências ao Serviço de Visitação Alimentar são emblemáticos do caráter prescritivo e autoritário que predominava. 4) Desenvolveu-se uma crença exagerada de que mudanças de práticas alimentares poderiam acontecer via intervenções do Estado, orientadas por balizas do saber racional. Dentre os profissionais da área, recaiu sobre a visitadora a função de arauto da boa nova junto à população e a responsabilidade de, pela educação alimentar, superar milagrosamente a ignorância alimentar das pessoas. Crença que ocultava, intencionalmente ou não, as limitações do difundido discurso que alçava a alimentação racional à condição de redentora do atraso socioeconômico do País. 5) Os limites desse campo de conhecimento foram se definindo, bem como suas bases conceituais e espaço social de atuação. Um corpo de especialistas foi se formando, compondo uma estrutura de poder vinculada ao quantum de capital cultural específico apropriado por cada agente ou grupo; ou seja, ao médico nutrólogo, foram atribuídas a pesquisa, a produção do conhecimento e a posição mais alta na hierarquia de poder interno; à nutricionista, em posição intermediária, foi destinado o desempenho de funções especializadas, técnicas, pondo em prática cardápios, dietas, individuais e coletivas dentro dos limites do conhecimento específico que possuía; a visitadora de alimentação, com qualificação específica em menor grau, ficou incumbida da execução prática, do trabalho social de campo, da difusão de conhecimentos e execução da tarefa de educação alimentar junto à população. 6) Enfim, através da divulgação e aplicação social, que caracterizou sua emergência, o saber em alimentação foi firmando suas bases, ancorando-se no meio social e conquistando o status de ciência de aplicação social.

[1] Trabalho desenvolvido como parte das atividades de estágio de pós-doutorado realizado junto ao Programa de Pós-Graduação em História, da Universidade Federal do Paraná, Linha de Pesquisa Intersubjetividade e pluralidade: reflexões e sentimentos na História, Grupo de Pesquisa História e Cultura da Alimentação, sob a supervisão do Prof. Dr. Carlos Roberto Antunes dos Santos.

[2] Professor do Departamento de Estudos Especializados da Faculdade de Educação da UFC. E-mail: ja.bezerra@uol.com.br.


  1. Identificação, Inventário e catalogação de fontes sobre a educação no Ceará (1844-1889): Pesquisa-meio, instrumental, voltada para atividades de preservação da memória da educação cearense. Teve como objetivo principal elaborar um banco de dados sobre a educação no Ceará, identificando, classificando e catalogando a documentação do Fundo Instrução Pública Cearense (1844-1889), pertencentes ao Arquivo Público do Estado do Ceará (APEC). O ponto de partida foi a problemática de disponibilidade (localização e acesso) de fontes sobre a educação cearense para os pesquisadores da área, que poderia ser amenizado com a elaboração de um banco de dados sobre as mesmas ao passo que contribuiria para a criação de um lastro temático para a produção de pesquisas em história da educação local e regional. Utilizou-se como referenciais teórico-metodológicos a discussão sobre a construção do conhecimento histórico; o papel das fontes históricas, seu tratamento, limitações e conceituação; a literatura disponível sobre a história da Província do Ceará; os parcos estudos sobre a instrução pública da Província e os fundamentos de arquivologia e paleografia. A primeira etapa envolveu a aproximação das fontes, a organização e mapeamento por temáticas e a descrição do estado físico do material, seguindo-se do processo de catalogação. Foram organizados e catalogados 10.000 documentos, entre ofícios, cartas e processos, disponibilizados ao público de pesquisadores e interessados nos formatos impresso e digital (CD-Rom e página eletrônica do Arquivo Público do Ceará / Secretaria da Cultura do Ceará). Transcreveu-se e publicou-se, na Revista Documentos (do APEC), uma coletânea de 26 documentos (leis, regulamentos e resoluções) indispensáveis no processo de leitura, compreensão e interpretação do corpus documental catalogado. De condições pouco favoráveis à pesquisa como o hercúleo trabalho do pesquisador no manuseio de milhares de documentos, parte em precário estado de conservação, acondicionado de forma inadequada, em dezenas de caixas, a catalogação favoreceu o acesso que dispens
  • Teses concluídas
  1. Escola de Nutrição Agnes June Leith – história e currículo (1944-1966) (Marlene Lopes Cidrack):
  • Dissertações concluídas
  1. A merenda escolar e seu potencial em face da segurança alimentar em Guaribas-PI (Fauston Negreiros): Estudo sobre a análise do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) como um instrumento com potencial de desenvolvimento social e promotor da qualidade de vida frente à situação de fome presente no município de Guaribas – PI. Buscou-se mapear o universo da produção agrícola familiar do município, identificando os alimentos que podem integrar os cardápios da merenda escolar; e apresentar as práticas alimentares da população do município situando sua construção sócio-histórico-cultural; O método utilizado foi qualitativo, História Oral, com abordagem de pesquisa definida como exploratório-explicativa, no qual foram necessários grupos de participantes contemplados por moradores de Guaribas, pais de alunos, técnicos responsáveis pela merenda escolar e pela análise das potencialidades da região geográfica. Estudos acerca das teorias do currículo, dos conceitos sócio-antropológicos de comida e alimento, produção agrícola e situação de fome, aspectos culturais do sertão piauiense e práticas alimentares no espaço escolar, representaram o suporte teórico da investigação. A análise dos dados sucedeu conforme orientações da Hermenêutica de Profundidade, através da qual se dá uma ênfase ao processo de interpretação, possibilitando a compreensão das formas simbólicas enquanto campo-objeto e também campo-sujeito. Por meio desse estudo, constata-se que as formas de utilização do PNAE – política educacional – poderiam constituir potencial elemento de estímulo à agricultura familiar local e superação da fome, podendo garantir segurança alimentar. No entanto, isso não ocorre, em sua plenitude, na operacionalização daquele Programa junto ao município de Guaribas – PI.
  2. CURRÍCULO CULTURAL DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: Emília e a Turma do Sítio na Cartilha da Nutrição do Programa Fome Zero (Cláudia Sales): Atualmente as histórias em quadrinhos são muito mais aceitas como produção artística e cultural por parcelas cada vez maiores da sociedade, sendo tratadas como ferramenta didático-pedagógica muito eficaz, possuindo a capacidade, mediante seu currículo cultural, de divertir, transmitir uma forma de ser, sentir, viver e se comportar no mundo. Este trabalho analisa as revistas em quadrinhos distribuídas gratuitamente pelo Governo Federal às escolas estaduais e municipais intitulado: Emília e a Turma do Sítio na Cartilha da Nutrição no Fome Zero. Este foi projeto do Programa Fome Zero, na qual o MDS – Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – estabeleceu um contrato com a Editora Globo, e contou com o apoio técnico do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) e dos Ministérios da Saúde e da Educação para produzir um material educativo com as personagens da Turma do Sítio do Picapau Amarelo, abordando a importância de uma alimentação saudável baseada em hábitos e produtos regionais, aliada à prática regular de atividade física como condições essenciais para a promoção da segurança alimentar e nutricional. O objetivo era inserir no ambiente escolar da EMEIF João Frederico Ferreira Gomes, por intermédio das revistas da Emília e a Turma do Sítio na cartilha da nutrição no Fome Zero uma discussão fundamentada e contextualizada que estimulasse pensar e adotar práticas alimentares e estilos de vida saudáveis, por meio de ações educativas de curta duração sobre alimentação, haja vista a segurança alimentar e nutricional. Para isso teve-se que proporcionar fundamentação teórica básica sobre alimentação, educação alimentar, saber popular e segurança alimentar e nutricional aos professores da escola; exercitar os conhecimentos adquiridos numa perspectiva interdisciplinar e transdisciplinar com os alunos, a fim de promover a confecção de um portifólio sobre alimentação saudável. Para alcançar os objetivos desta pesquisa, foi empregada a Hermenêutica Profunda (HP) ou de profundidade, apresentada por Thompson, como um referencial teórico e metodológico, dividindo o trabalho de campo em três etapas: análise sócio-histórica, análise formal ou discursiva e interpretação/ reinterpretação. Ao final da pesquisa, pode-se concluir que apesar das referidas revistas em quadrinhos possuírem um conteúdo muito limitado, tendo apenas caráter prescritivo, elas podem ser importantes instrumentos de estímulo, para sensibilizar alunos e professores para o tema alimentação e nutrição, favorecendo de forma criativa o desenvolvimento da capacidade crítica do professor e dos alunos; o desenvolvimento, ou educação do olhar; e a compreensão sobre o saber escolar/acadêmico que traz seus equívocos, por ser um artefato sociocultural distante da realidade vivida da escola e dos  seus sujeitos.
  3. Análise sócio-histórica de cartilhas de educação alimentar, décadas de 1930 e 1940. (Tiago Sampaio Bastos):

    Análise sócio-histórica de cartilhas sobre alimentação publicadas com a finalidade de educação alimentar, no período de emergência do saber em alimentação e nutrição no Brasil, décadas de 1930 e 1940. No Brasil, a partir da década de 1930 a discussão acadêmica sobre alimentação vai ganhando cada vez mais propriedade, passando a constituir-se em um campo de saber específico. Considerando o momento de abundância das publicações nacionais sobre alimentação e de lançamento das bases do conhecimento e o desencadeamento de sua aplicação prática, em termos de pesquisa científica, tomo para análise nesse estudo as cartilhas: “Os pequenos fundamentos da boa alimentação”, de Thalino Botelho (1938); “Cartilha de Alimentação do Brasil”, de Mario Rangel (1938); “ABC da alimentação”, de Orlando Parahym (1943); e a “Cartilha Alimentar do Homem Rural”, de Rubens de Siqueira (1946). Objetivo identificar a concepção de alimento e de educação alimentar, conceitos de comida, alimentação e nutrição, verificando como se expressam, de forma manifesta ou latente, conteúdos de natureza política, de controle social e moral. Refletem na obra os objetivos de controle e intervenção estatal, aplicados metodologicamente sob orientação pedagógica renovadora com rápidos traços da pedagogia tradicional. A idéia central seria modificar os maus hábitos alimentares do povo brasileiro, ensinando-o a alimentar-se racionalmente, pela experiência, praticando as regras e conselhos do saber médico. Objetivava aperfeiçoar a raça brasileira, aumentando sua resistência biológica, disciplinando o corpo, focalizando o máximo desempenho do sistema produtivo. O intuito era formar uma nacionalidade brasileira produtiva que levasse o país ao progresso econômico e social.

  4. Educação alimentar na obra de Dante Costa (1933-1967). (Jorge Washington da Silva Frota)
  5. Alunos africanos de Guiné Bissau, São Tomé e Principe e Cabo Verde na Universidade Federaldo Ceará: relações culturias, alimentares e curriculares. (Leopoldo Gondim Neto): A pesquisa – Alunos Africanos de Guiné Bissau, São Tomé e Principe e Cabo Verde na Universidade Federal Do Ceará – UFC: relações culturais, alimentares e curriculares- se volta a um estudo exploratório, descritivo com enfoque qualitativo. Apresenta-se por objetivo observar a assiduidade e periodicidade na utilização do RU pelos estudantes africanos, seus rituais e formas de enfrentamento curricular– de agrado/desagrado diante de alimentos neles servidos; verificar até que ponto o RU da UFC promove, no cotidiano formativo, a mediação de saberes do gosto (via cardápios), a imersão e troca de saberes de experiência e  curriculares (aprendizagens efetivadas) entre alunos africanos;Descrever formas de integração/desintegração entre alunos africanos e brasileiros e funcionários da UFC, que se desenvolvem no RU, (des)ocultando cenários e cenas de bem estar e hábitos alimentares;Mapear e registrar as trilhas de convivência alimentar de africanos- dentro da academia e no ser entorno e as relações de fabricação como meio/forma para o redesenho disciplinar do Curso de Gastronomia da UFC. Os principais sujeitos da pesquisa serão os alunos da Guiné Bissau de São Tomé e  Príncipe  e Cabo Verde. Os dados levantados, durante a observação e o discurso/fala do entrevistado, serão analisados a partir do referencial da Hermenêutica de Profundidade de Thompson. Este referencial metodológico adotado será dividido em três etapas: análise social-histórica, análise formal ou discursiva e interpretação/ reinterpretação. No desenvolvimento destas etapas serão utilizados RU sede do Pici ,  as salas de aula e os espaços de reunião dos alunos africanos( Parlamento). Além de Thompson, serão focadas as teorias de Bourdieu,  de Santomé  e Apple.
  6. Fome, educação e alimentação: proposta educativa de Josué de Castro. (Alice Nayara dos Santos)
  • Monografias
  1. Ovinos e caprinos como habitus alimentarna história dos sertões cearenses (Francisco José Alves Aragão): O trabalho trata de uma pesquisa histórica sobre a formação de um hábito alimentar tradicional no Sertão do Nordeste Brasileiro. Trata-se do hábito alimentar/ comensal de ovinos e caprinos na área do Sertão de Crateús, microrregião inserta na Mesorregião dos Sertões Cearenses. Estruturamos a presente pesquisa em três partes, sendo a primeira dedicada à História/ Filosofia da Alimentação desde os primórdios, evidenciando as características ontológicas dos objetos “alimento”, “comida”, “alimentação”, “comensalidade”, em meio aos embates travados entre Natureza versus Cultura. Na segunda parte, percorremos todas as regiões culturais brasileiras, focando sempre a questão da alimentação e da comensalidade, de modo a aclarar os percursos que denominamos “percursos alimentares brasileiros”, sendo estes os sedimentadores dos habitus comensais do povo de uma região. Na parte final do trabalho, adentramos no mundo cultural e alimentar do Nordeste Brasileiro, chegando até a região do Sertão e, mais especificamente, à microrregião do Sertão de Crateús, no Ceará, onde desenvolvemos a parte prática da presente pesquisa. Nossos marcos teóricos foram compostos por conceitos de comida, alimento e cultura alimentar, na perspectiva histórico-antropológica; fundamentos da história oral; e de fundamentos antropológicos de descrição densa e de observação participante e cotidiana. Também tomamos emprestados conceitos como habitus, tradição e reprodução cultural, estabelecendo um diálogo teórico com as obras de pensadores como P. Bordieu (habitus), E. Hobsbawm (tradição) e R. Williams (reprodução cultural). Esta investigação se volta, portanto, para a cultura material, entendida como aspectos imediatos da sobrevivência humana, da vida cotidiana, dentre os quais se destacam a alimentação, a moradia, o vestuário, os níveis de vida, as técnicas e os dados biológicos. Assim, procuramos demonstrar, a partir da análise de vários dados, se existe uma tradição, um habitus alimentar tendo como base certos animais e, em existindo, o “por que” e o “como” se estabeleceu, se conformou essa tradição, bem como a dinâmica social que a tornou e torna possível a sua manutenção.
  • Cusos de Extensão

MENÇÃO HONROSA NO PRÊMIO SANTANDER

(Clique aqui e confira as fotos da premiação)

  1. Alimentação saudável se aprende na escola!:  a escola como uma instituição de grande influência na vida das crianças, torna-se um lugar ideal para se desenvolver ações de promoção à saúde, bem como o desenvolvimento de uma alimentação saudável. Neste sentido, o curso de extensão “Alimentação saudável se aprende na escola”, possui o objetivo de estimular o professor a desenvolver atividades sobre alimentação e nutrição de forma transversal e interdisciplinar com seus alunos, promovendo a construção do conhecimento crítico e estimulando um viver mais saudável hoje e no futuro. Através de curso de curta duração destinado aos professores da rede municipal de ensino, pretende-se estimular nesse espaço a adoção de práticas alimentares e estilos de vida saudáveis. Como produto, ter-se-á  um material didático elaborado por alunos e professores sobre alimentação saudável e práticas alimentares locais, utilizando-se da linguagem das estórias em quadrinhos e/ou fanzine.

O curso é dividido em 3 etapas:

  • Etapa 1 (parte teórica – 4 encontros): atividade com os  professores para apropriação das seguintes temáticas: políticas públicas de alimentação e nutrição; alimentação, na perspectiva de sua dimensão simbólica e representacional; saber popular e saber escolar; fundamentos de segurança alimentar e nutricional; educação alimentar e nutricional; interdisciplinaridade.
  • Etapa 2 (parte prática – 2 meses): Utilização pelos professores em sala de aula do material do MDS, de modo interdisciplinar. No final de cada mês os professores deverão entregar um relatório descrevendo como está sendo a aplicação do material, assim como a apropriação pelos alunos;
  • Etapa 3 (oficinas – 4 encontros): serão ministradas oficinas com os professores e alunos tendo em vista a apropriação de técnicas de confecção de histórias em quadrinhos e fanzine. Dessa etapa pretende-se ter como produto “Construindo minha cartilha: alimentação saudável se aprende na escola”, um conjunto de textos elaborado por grupos de 5 alunos, expressando a apropriação do assunto com a mediação de suas práticas alimentares.
  • Encerramento do curso, com apresentação da produção dos alunos ao público presente que se pretende seja formado por: professores, gestores, pais de alunos, alunos e pessoal da UFC envolvido.

Confira aqui as fotos do curso de extensão!

Escola de Visitadoras de Alimentação Tendo como base os fundamentos da alimentação racional e a tese da ignorância alimentar da população, desencadeiam-se, em meados da década de 1930, estudos com a finalidade de analisar as práticas alimentares dos brasileiros em suas relações com o desenvolvimento econômico e social do País, buscando caracterizar o problema alimentar brasileiro em suas consequências para o desenvolvimento socioeconômico, formulando um diagnóstico e prescrevendo soluções para tal conjunção de problemas.Dentre essas prescrições, destacava-se a realização de “cruzadas alimentares” para ensinar a população, notadamente a classe trabalhadora, a se alimentar “corretamente”, de forma racional, o que resultaria na conformação de sujeitos fortes, robustos e sadios, necessários ao desenvolvimento do país e a constituição da nacionalidade brasileira.

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